A relação entre a “Iluminação” e a “Natureza de Maya”

Meus Amigos,

Em relação aos textos sobre o tema “iluminação” e “a natureza de maya”, recentemente publicados e comentados, no Templo dos Iluminados [ http://busca-espiritual.blogspot.com.br/ ] e aqui no nucleu.com, senti que seria esclarecedor para muitos estabelecer uma clara relação entre eles, porque se completam. Assim, compartilho o que segue:

“Iluminação” é estar consciente de que Deus é o único Ser Real e, da real identidade!

Assim, o “iluminado” está consciente de Quem Deus É e, de Quem (tudo e todos os seres) Somos…

Aquele que está consciente de que não há outro Ser Real senão o próprio Ser, quem pode e sabe ser senão o próprio Ser?

Um ator não deixa de ser “ator” quando está representando. É “atuando” que ele se expressa e que se realiza!

Deus é o ator divino, e por ser divino atua tanto representando o papel de “personagens” quanto o papel de “cenário” e dos “objetos do cenário”!

Assim, o “Ator divino” quando está atuando está presente em toda a Sua “encenação divina”.

Está consciente tanto quando a “vê” como “encenação” quanto quando a “vê” como real…

Quando a “vê” como “encenação” está atuando como um personagem desperto, iluminado;

Quando a “vê” como real… está atuando como um personagem indesperto, não iluminado.

Em ambos os casos trata-se do próprio Ser Real consciente de que é “o ator” representando!

Portanto o Ser Real é a real identidade de todos os personagens e também de todo o cenário!

Na linguagem védica essa “representação divina” é chamada de “Maya”.

Maya surge do Ser e é o próprio Ser Quem está presente em toda ela, tanto quanto personagens quanto cenário!

O que se segue é um texto comentado que expõe a linguagem védica, por Sathya Sai Baba.

Os comentários estão entre colchetes, assim: […]

O título do texto é: A Natureza de Maya

Escreve Sai Baba:

“Escute Arjuna [personagem]! Entre Mim [o Ser Real; o Ator] e este Universo move-se maya [a representação divina], denominada ilusão. Deveras, é difícil, uma árdua tarefa o homem [o personagem] alcançar ver além de maya, porque maya também é Minha. É da mesma substância. Você não a pode supor separada de Mim. É criação Minha e está sob o Meu controle. {Notem que Krishna é Quem está falando com Arjuna e que ele é consciente de que é tanto o aspecto criador do Universo Real, Brahma, quanto é consciente de que Ele é Quem cria a “representação”, “maya”.

Um adendo, em termos da simbologia védica há um Deus universal chamado de Brahman. Brahman revela ter três aspectos: O aspecto criador de Brahman é chamado de Brahma; o aspecto preservador de Brahman é chamado de Vishnu; e o aspecto transformador é Shiva.

Krishna manifesta ora um ora outro desses aspectos, sendo por esse motivo considerado por uns como um “avatar” de Shiva e por outros um “avatar” de Vishnu. [literalmente a palavra “avatar” significa “descida”; a “descida de Deus”, do céu, para Se manifestar no Universo!]

Portanto, Krishna é a própria divindade manifesta! Ele é o Ser Real, consciente de Quem É!

Por ser Quem É, Krishna conhece sua real identidade e a real identidade de todos os seres e conhece também a natureza tanto do Universo Real quanto da representação divina, maya. É o que Krishna está revelando a Arjuna neste diálogo divino. Daí a importância do texto!}

Krishna diz:

“Numa fração de segundo revira o mais poderoso dos homens [personagens] de pernas pro ar! Somente aqueles que são plenamente ligados a Mim [o Ser Real] podem vencer maya [vencer maya não significa se debater contra maya com a finalidade de vencê-la, mas sim, significa vê-la com uma visão que a transcende, que percebe sua natureza de representação divina, ou seja, aquilo que parece ser real, mas que em realidade não é!]. Arjuna, não veja em maya, o mínimo que seja, algo repulsivo que tenha descido de qualquer parte. Ela é um atributo da mente [Que revelação divina! Notem que é a visão da “mente do personagem” que vê maya como sendo algo real], fazendo esta ignorar a Verdade e o Eterno Paramatma [A Verdade é que só Deus é Real. Há um Universo, criado por Deus, que é Real. Mas maya é apenas uma representação divina]. Maya conduz ao erro de acreditar [acreditar é perceber com a “mente do personagem”, é “ver” mentalmente a representação e tomá-la como real…] que o corpo é o Ser. Não é algo que era e depois desaparecerá; nem é alguma coisa que não era, vem a ser, e ainda é. Maya nunca foi; não é; e nunca será. [Maya é uma representação]

É um nome para um fenômeno inexistente. Mas esta coisa não existente vem de dentro da própria visão! [Outra revelação divina digna de nota! Krishna está revelando que é a visão da mente do personagem que vê o que não é real e a projeta como se fosse real, tornando-a real para a própria visão da mente do personagem…] [Em seguida Krishna elucida que…] É igual à miragem no deserto, um lençol d’água que nunca houve nem há. Quem conhece a Verdade não vê miragem. Somente os desavisados quanto ao deserto são por ela atraídos. Correm para ela é sofrem aflição, exaustão e desespero. Como a sombra crescendo dentro do quarto, a esconder o próprio quarto; como a catarata a crescer no olho suprime a visão, maya apega-se àquele que a ajuda a crescer.”

Prossegue Krishna:

“Arjuna, você pode perguntar se maya, que penetra e prejudica o próprio lugar que lhe dá origem, não Me tem maculado, pois em Mim tomou nascimento. Tal dúvida é natural. Mas é sem base. Maya é a causa de todo esse universo [universo do personagem; representação], mas não é a causa de Deus [e nem é a causa do Universo Real, que é gerado por Brahman].

Sou Eu a autoridade que a dirige [Krishna é a base que “sustenta” a representação. Isto significa que não seria possível haver representação sem o Ator, sem os personagens e sem o próprio cenário]. [Por isso, acrescenta Krishna que] Este universo [irreal, este universo dos personagens], que é produto de maya, move-se e se comporta de acordo com a Minha Vontade. Assim, a pessoa que estiver ligada a Mim e se conduza de acordo com a Minha Vontade não pode ser prejudicada por maya [ “estar ligada em” Krishna é ser unida à visão que Krishna proporciona; é estar percebendo a onipresença da divindade na representação, e ao mesmo tempo estar consciente de que se trata de uma representação e não da Realidade]; maya [por ser da mesma substância de Krishna e não poder se supor separada de Krishna] reconhece autoridade nela também. O único método para vencer maya é adquirir jnana (sabedoria) do Universal [o conhecimento do Ser Real], e redescobrir sua própria natureza Universal. Você [com a visão de um personagem do Ser] atribui limite à existência daquilo que é eterno [o Ser Real], pois isto [a visão mental] é o que produz [o que faz surgir] maya. Fome e sede são características da existência [dos personagens]. Alegria e tristeza, impulso e imaginação, nascimento e morte são tidos características do corpo [do personagem que se percebe num universo dual…]. Não são características do Universal, do Atma [do Ser Real].

Acreditar [perceber com a mente do personagem] que o Universal [que o Ser Real], que é você mesmo, está limitado e sujeito a todas essas características não-átmicas – isto é maya. Mas lembre-se [bela ênfase de Krishna a Arjuna e a todos os divinos personagens]: maya não ousa aproximar-se de quem tenha Me tomado por refúgio. Para aqueles que fixam a atenção em maya [para os que se fixam na percepção da mente que “vê” maya], ela opera como um obstáculo de vastidão oceânica. Mas aos que fixam sua atenção em Deus [para os que se fixam na percepção da Consciência que “vê” a Realidade], ela se apresentará como Krisha! [E completa Krishna dizendo que…] A barreira de maya pode ser superada, seja por desenvolver a atitude de unidade com Deus Infinito [seja por se ver em unidade com Deus], seja pela atitude de completa submissão ao Senhor [seja por seguir as orientações divinas, como contidas nesta esplêndida e muito elucidativa revelação divina de Krishna a Arjuna!].

(Bhagavad Gita – Sathya Sai Baba) [Comentários conforme a linguagem usada no Núcleo]

E para completar, usando a linguagem bíblica…

Disse Jesus:

3 Vós já estais puros pela palavra que vos tenho anunciado.

4 Permanecei em mim [Ser Real]e Eu permanecerei em vós. O ramo [o personagem] não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira [no Ser Real]. Assim também vós: não podeis tampouco dar fruto, se não permanecerdes em Mim.

5 Eu sou a videira [o Ser Real]; vós, os ramos [personagens]. Quem permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer.

 

E quanto a tudo o que disse, Jesus revelou:

Já não vos chamo servos [personagens inconscientes], porque o servo não sabe o que faz seu senhor. Mas chamei-vos amigos [personagens conscientes], pois [sendo Eu o Ser real que aparece na representação como um personagem consciente] vos dei a conhecer tudo quanto ouvi de meu Pai [o Eu Verdadeiro, a Consciência do Ser, a nossa real identidade!]

João 15:15

 

Namastê,

Através de Silvano

2 thoughts on “A relação entre a “Iluminação” e a “Natureza de Maya”

  1. Caríssimo Silvano …. Divino Emissário da Fonte….

    É deveras fantástico (por falta de melhor expressão) constatar, embora

    pareça haver paradoxo (ilusão), UMA-ÚNICA-CONSCIÊNCIA, porém duas

    percepções. Uma…. com o personagem mergulhado no esquecimento a despeito

    de sua Real Identidade…. e a outra …. ainda que na representação…. o personagem

    “desperto” e cônscio de Sua Real Identidade…. – …. ainda que estando no “mundo”.

    “Olhando” para o mundo de …. Maya …. nesta magnífica e divina representação….

    fico maravilhado com a …. fidelidade Divina …. atuando no esquecimento …..

    enquanto de Sua efêmera manifestação nos palcos “Universais” da representação.

    Fico maravilhado …. com este mistério …. que ora nos permite “estar” em ilusão….

    e ora…. estarmos despertos a despeito de Quem Somos.

    Mais estupefato ainda….fico…. ao ver dEUs …. fiel (no esquecimento de Quem Sou)

    …. na representação…. para que Suas “estórias”….infinitas….

    e em tantos …. “níveis ou dimensões” …. possam ser “vividas ou experiencidas” ….

    dentro de uma total credibilidade (dualidade) enquanto …. imaginamos …. ser tão

    somente o personagem que estamos representando.

    Que Autor…. que Ator …. que Criatividade …. que Capacidade …..

    E o mais extraordinário …. saber que EU (Nós) SOU (Somos) ….

    Aquele que “cria” Tudo Isto ….

    Em Espírito e Verdade …. nos vastos mundos e dimensões dos personagens ….

    não há ….. “palavras” …. que possam fazer valer a….grandeza…. de tudo isto.

    Namastê
    Através de Flávio José

    _________________________________________________

    Parte do texto de nosso amigo Silvano ….

    Escreve Sai Baba:

    “Escute Arjuna [personagem]! Entre Mim [o Ser Real; o Ator] e este Universo move-se maya [a representação divina],

    denominada ilusão. Deveras, é difícil, uma árdua tarefa o homem [o personagem] alcançar ver além de maya,

    porque maya também é Minha. É da mesma substância. Você não a pode supor separada de Mim.

    É criação Minha e está sob o Meu controle.

    {Notem que Krishna é Quem está falando com Arjuna e que ele é consciente de que é tanto

    o aspecto criador do Universo Real, Brahma,

    quanto é consciente de que Ele é Quem cria a “representação”, “maya”.

  2. Lembrando o que foi dito através do divino personagem Allen White…

    “Muitos, quando pensam em si mesmos, ou quando pensam sobre a própria identidade, confinam-se à forma corporal. Se pedirmos que se apontem, apontarão o próprio corpo. Com tal conceito finito de si mesmos, não é de se estranhar que a vida e a experiência destes aparentem ser tão limitadas! O antídoto ao que se mostra como limitado viver, está na REALIZAÇÃO DA IDENTIDADE INFINITA.

    Quando você diz com compreensão (como fez Jesus), “Eu e o Pai somos um”, elimina todo o conceito de um eu finito. Você entende que sua Identidade Infinita não está confinada a uma forma chamada Corpo; antes, você se compenetra de que seu Corpo está incluso em sua Identidade Infinita.

    O seu “Eu” é sem fronteiras. O seu “Eu” é ilimitado e inconfinado. O seu “Eu” é Onipresente. Há somente o UM. Este Um é Infinitude em Si. Este Um é o “Eu” que você é.

    Não creia nisso só porque eu escrevi. Leve o assunto à sua própria Consciência (Deus). Indague se é verdadeiro. Ouça a resposta. Não se deixe desapontar esperando pela resposta a ponto de criá-la de você mesmo.

    Uma vez descoberto seu Eu infinito (ou mesmo antes), contemple-o assiduamente e verá sua vida “se expandir”, sem nenhum esforço, em surpreendentes maneiras de evidenciar o seu Eu infinito.”

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