O Olhar do Iluminado (Ou Pureza de Coração)

olhar de shiva

Personificações da divindade,

Num comentário publicado em

http://busca-espiritual.blogspot.com.br/2013/09/a-vida-impessoal-718.html

o Gugu publicou fez referência um belíssimo texto do Eu que aparece como o divino personagem Mizi, que me motivou a comentar o que segue:

Meus Amigos,

O Gugu escreveu:

Eis aqui um texto que há tempos um amigo meu escreveu, e que do nada me veio à mente hoje à tarde como orientação ou sugestão de leitura. O título do texto tem a ver exatamente com a sua pergunta, e o texto como um todo também.

http://neo-ad-infinitum.blogspot.com.br/2009/06/o-olhar-do-iluminado-ou-pureza-de.html

Traduzindo em termos da linguagem usada no Núcleo o que o Gugu escreveu, ficaria assim… “Eis aqui um texto que há tempos um amigo meu {uma divina manifestação de Quem aparece como…} escreveu, e que do nada {do “Núcleo”, da “Essência”, da “Fonte” ou da “Consciência” de Quem Sou} veio à mente {do meu personagem} hoje à tarde como orientação ou sugestão de leitura {veio à mente algo a ser compartilhado}. O título do texto tem a ver exatamente com a sua pergunta, e o texto como um todo também.

E também traduzindo em termos da linguagem usada no Núcleo o que o divino personagem Mizi escreveu, ficaria assim…

O Olhar do Iluminado
(ou Pureza de Coração)

A visão da Consciência

(ou percepção consciencial)

Veja tudo que está ao seu redor: o Sol que brilha forte, o vento que sopra amigo, as montanhas imponentes, as flores que exalam perfumes e as nuvens que enfeitam o céu. De onde veio tudo isso? O que todas essas formas, cores e cheiros estão fazendo aqui? A mente [do personagem] se perde perante a imensidão do universo e o grande mistério da vida, porque não pode compreendê-los. Isso mesmo. Não pode “com-preender”, ou seja, prender com ela, prender junto dela. A mente [do personagem] é limitada e nunca irá possuir a Verdade. Portanto, quanto mais tentar prendê-la, mais o ser humano se sentirá frustrado.

Olhe e veja tudo novamente, mas agora tente mudar a forma como você observa. Procure uma nova postura. Desenvolva um novo “olhar” [um olhar não mental…}. Se for preciso, feche os olhos e veja apenas com o coração {comentário: só se for preciso feche os olhos… mas você pode ver tudo de olhos abertos também!}. Sinta {perceba} o grande mistério da existência se dissolver em seu espírito a ponto de tudo isso se transformar numa certeza inabalável {um saber; uma percepção plena} de que tudo existe inquestionavelmente e que apenas isso já basta {já basta para ser desfrutado}. Simplesmente aceite: tenha fé {fé é a própria visão ou percepção consciencial; é a percepção de Quem faz!}! A fé {a percepção consciencial } não promove dúvidas {dúvida é não, ou seja, você não está percebendo consciencialmente}, não promove questionamentos, não promove conflitos… A mente procura entender, esmiuçar, analisar, dissecar e delimitar tudo com que depara, pois ela própria é muito delimitada. Mas lembre-se: você não é sua própria mente. Você é mais do que isso {a mente é do seu personagem, mas você não é o seu personagem, você é o Ser!}. Você não é tão limitado a ponto de buscar limitar tudo o que há. Procure aceitar mais e sentir todos os mistérios como se fossem vivos dentro de você{e verdadeiramente o são, pois tudo está na Consciência do Ser que você É.}. A fé {percepção consciencial}, ao contrário da razão {percepção mental}, não procura explicações, a fé {a percepção consciencial} não procura vínculos. A Fé apenas procura aceitar… Pelo menos por uma vez, tente olhar as coisas com os olhos cheios de amor {com a Consciência do Ser} e não deixe que sua mente {que a mente do seu personagem} lhe influencie. Liberte-se do domínio da mente {liberte-se da tirania mental!}. Procure olhar tudo como se fosse pela primeira vez. Olhe o mundo hoje como que por olhos de uma criança pura e despreocupada, como se a cada nova olhada houvesse uma nova descoberta. Sinta {perceba} o amor de Deus em todas as criaturas e em todas as Suas obras {Deus é Quem “aparece como” ou, é Quem “Se revela” em todas as criaturas e em todas as Suas obras}. Esse seu novo olhar {o novo olhar que desvela a real identidade em perfeita unidade com Aquele que disse: “Eu lhes tenho transmitido a glória que me tens dado, para que sejam um como nós o somos”} só poderá sustentar-se dentro deste mesmo instante em que você olha {por ser a visão que vê o eterno presente}. É um olhar puramente presente, totalmente desperto das amarras e das ilusões do tempo. Quanto mais preocupado com a razão das coisas e com a temporalidade das coisas {quanto mais na mente}, mais distante estará desse olhar {consciencial}.

Mas de onde você está olhando? De onde parte esse olhar que a tudo observa, com os “olhos” cheios de amor {do personagem ou do Ser}? Quem é esse que procura o universo? Onde ele está? Esse que observa não pode ser outro senão você mesmo {não pode ser outro senão Quem você realmente É}. Não! Não é sua mente. Não é seu raciocínio. {não é a mente de quem você está sendo…; é a Consciência do Ser que você É} A sua mente está, mormente, na sua cabeça {na cabeça do seu personagem}, mas você não está na sua cabeça. Você não está dentro do seu corpo {Você não está nem na cabeça nem no corpo do seu personagem}. O seu corpo é que está dentro de você. A sua mente é que está em você {todo o seu personagem é que está na Consciência de Quem você É}. Você está em um outro lugar muito distante de tudo isso que pensa {você está na Realidade de Quem você É} (até porque se você estiver pensando {se você estiver percebendo mentalmente}, esse lugar só pode estar na sua mente {por ser somente um pensamento na mente} e é visto que sua mente não conhece o lugar onde você está) {sua mente não percebe a Realidade da Consciência}. Mas a pergunta persiste: onde está esse que observa o universo? {onde está o Ser real?} Onde você está?

Ora, você não está em outro lugar senão no lugar onde você está Agora. Você está Aqui {Você está em Sua própria Realidade; Você é a própria Consciência do Ser que Se percebe; que Se vê a Si mesmo em tudo}. A simplicidade da resposta parece algo óbvio e imbecil à mente {e é simples mesmo! Mas nem por isso evidente para a mente}, pois o Aqui e o Agora são um local e tempo concretos que ela pensa ter idealizado. Mas a mente é tão limitada que ela não percebe que não está lá, mas que está, na verdade, muito distante de lá. E para compensar essa falta, ela mapeia, cria uma situação de Aqui e Agora que são fictícios. Não há nada que aconteça no presente e no espaço que possa ser compreendido ou lembrado pela mente… Faça um teste você mesmo. Pense no momento mais próximo do Presente que puder abstrair. Pense no último segundo. Não, pense no último milionésimo de centésimo de segundo. Ainda assim, será um milionésimo de centésimo de segundo que se passou e que já não é mais Presente, mas sim passado. A mente age como um cachorrinho que tenta perseguir o próprio rabo, sem nunca sequer alcançá-lo. A mente só vive no passado ou no futuro. Como não consegue estar presente no Agora, cria ilusões de que esse tempo é vivido por ela {cria a “representação” do tempo como sendo algo cindido em passado, presente e futuro e vive dentro dessa criação… inconsciente da revelação de que: “Antes que Abraão existisse – [antes que existissem personagens] Eu Sou }. Apenas o olhar do iluminado é capaz de deslumbrar o lugar do AQUI e o tempo do AGORA. Apenas o Espírito é capaz de sentir o verdadeiro Agora, o verdadeiro momento Presente, em que a eternidade se faz plena. Apenas o coração puro {a visão do próprio Cristo que habita em nós – do Espírito dAquele que ressuscitou a Jesus dentre os mortos} consegue depreender o seu verdadeiro EU {sua real identidade}, o verdadeiro Eu que está Aqui e Agora. Liberte-se, pois, de sua mente {transcenda a visão da mente de seu personagem…}. Use-a apenas como {o que ela realmente é, ou seja, um} instrumento de sua vontade {da real vontade do Ser que você É}, mas não se torne cativo e prisioneiro de seu próprio instrumento [da mente de seu personagem}. O pior prisioneiro é aquele que está preso por sua própria mente {que está preso por sua própria visão, da mente de seu personagem!}.

Parece fácil fazer tudo isso apenas falando, mas é realmente complexo e difícil. {Pra quem se identifica como quem “está sendo” e não como “Quem É”; ou seja, pra quem usa como parâmetro de percepção da própria identidade a “mente de seu personagem” e não a “Consciência do Ser”} A mente é um carcereiro “durão” na queda. Ela possui um poder incrível {Para quem se identifica como sendo o personagem, a mente assume o controle total e te domina}. Quanto menos se espera, ela volta ao seu posto e te aprisiona novamente sem ao menos que você perceba desse lamentável infortúnio. É por isso que é necessário estar alerta {De fato é preciso sempre “orar e vigiar sem cessar”!}. É necessário estar presente, para não cair nas armadilhas da mente. Buda falava sobre esse estado de concentração no presente {de visão focada em Quem está se apresentando diante de nós… O “presente” é a manifestação dAquele que é sempre presente, do Ser que é “onipresente”}. Os mestres zen são famosos por dar bambuzadas em seus discípulos pelas costas para testar o grau de atenção deles {para manter o foco na percepção consciencial e não na mente e seus muitos pensamentos}. Quanto mais absortos em pensamentos, mais eles se deixavam bater sem querer. Cristo também nos chama a vigiar o presente. Devemos sempre estar aguardando a “chegada dos patrões”, pois não sabemos a que horas irão chegar, ou se algum ladrão tentará invadir a casa. Cristo considerava, também, que as preocupações com o passado e com o futuro são coisas de tolos, pois Deus conhece tudo aquilo de que precisamos para viver e de certo proverá.

Deixar de se preocupar com isso, no entanto, não significa ser desidioso e deixar tudo nas mãos divinas, mas sim fazer apenas a nossa parte no AQUI e AGORA {devemos sempre buscar em primeiro lugar [perceber] o reino de Deus e Sua Justiça – dessa percepção surge a orientação sobre algo a ser feito – a ação correta – aquela guiada pelo Espírito de Deus – como está escrito: “todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são Filhos de Deus”!}, certos de que o passado deve realmente passar por nós, ser deixado para trás, enquanto que o futuro só se realizará quando chegar o seu momento de se tornar Presente. Ser um preguiçoso, não contribuindo em nada para a evolução própria e dos demais seres {não compartilhar} é a pior atrocidade que alguém poderia fazer {especialmente para consigo mesmo}, pois, nesse caso, a pessoa estaria desperdiçando, não seu passado ou futuro, mas o próprio momento Presente. O que temos feito dos nossos Presentes? O Agora é uma verdadeira dádiva divina, e por isso mesmo é que o chamamos de “Presente”.

Mas por que é tão necessário possuir tal “olhar iluminado”, tal “olhar puro”? Por que não podemos negligenciar tal situação? Se a mente domina, não é natural que seja assim? A resposta é não! Você não é sua mente. O seu verdadeiro Eu é o espírito inefável que habita o infinito e que necessita voltar para a morada de onde veio, que necessita voltar para junto do Criador. A partir do momento que perdemos o momento Presente, perde-se o “olhar puro” {e da mesma forma, a partir do momento que perdemos o “olhar puro”, perde-se o [desfrute do] momento Presente} e conseqüentemente, tornamo-nos cativos da mente novamente. Cativos da mente, não podemos “conhecer” nosso verdadeiro Ser, nosso verdadeiro lugar {e a real identidade}. Não conhecendo nosso verdadeiro Ser, estaremos apegados às formas ilusórias da existência {da representação} e, para buscar preencher esse profundo vácuo {em que existem os personagens}, tentaremos delimitar os mistérios universais não passíveis de compreensão mental. E quando percebemos que não podemos fazer tal proeza, frustramo-nos e sofremos. O sofrimento é o pecado do ser humano, a maldade que gera o carma (se você for um oriental), ou as maldições (se você é um ocidental). O pecado é aquilo que nos deixa mortos. “O preço do pecado é a morte”. Enquanto que a Verdade é aquilo que nos vivifica. “Aquele que beber da água que eu lhe der, terá vida eterna”. O fato é que você não pode se dar ao luxo de cochilar {de parar de orar e vigiar sem cessar}. Abra seus olhos e contemple a verdade {contemple a divindade presente em tudo, em todos}. Sinta todos os mistérios universais e existenciais se dissolverem no ser infinito {do Ser} que é você. O “olhar puro” deve ser tanto externo (para as demais coisas) quanto interno (vigiando o momento presente e as armadilhas da mente). Não se preocupe em perder o controle da mente, pois quem {o Ser que} controla o olhar também controla a mente, pois esta {a mente do personagem} é menor do que aquele {a Consciência do Ser}. No entanto, aquele que é cativo da mente {aquele que se auto identifica com o uso da percepção mental} não consegue ter acesso ao “olhar” {consciencial}.

Com tal “olhar”, vivencie com fé {percepção consciencial} tudo o que há para ser vivenciado e sinta o propósito da existência se cumprindo em seu ser. Deus se manifesta nas coisas simples [Deus Se revela como tudo diante de nós, de forma onipresente, ou seja, Ele “aparece como”}.  “Esconde-se dos ricos, mas revela-se aos humildes” , como diz Cristo. Se você não percebe a ação divina no mundo, talvez o problema esteja em seu olhar. Procure desenvolver seu olhar puro, seu olhar iluminado. Na próxima vez em que avistar uma rosa, você não a olhará como mais uma rosa, mas sim como uma nova rosa, um novo ser totalmente presente e que necessita ser sentido e vivenciado plenamente. Por mais que você olhe a mesma rosa, a cada novo olhar, uma nova descoberta será realizada. Tudo no mundo muda. Nada é estático. Não julgue que já viu todas as rosas que há para serem vistas, nem que já apreendeu tudo o que há para apreender em uma rosa. Talvez sua mente sinta a necessidade de estudar, analisar, esmiuçar o ser biológico da rosa, mas ainda assim, o verdadeiro ser da rosa será um verdadeiro mistério a cada novo olhar, pois o próprio Espírito do Senhor está em todas as Suas criaturas. A rosa sequer se chama rosa. Rosa é apenas um nome que sua mente atribuiu àquele ser que pretende analisar. Por acaso se a rosa não se chamasse rosa, ela deixaria de ser uma rosa? Ela deixaria de ser ela mesma? Não! Portanto, a rosa não é a rosa, muito menos o nome da rosa.

Tudo o que existe possui um determinado propósito. É necessário que você tenha a capacidade de, ao olhar uma rosa, enxergar igualmente o infinito, o Deus, que se revela nessa aparente simplicidade {É necessário que você tenha a capacidade de perceber a unidade que subjaz à multiplicidade…}. E muitas outras coisas há além de rosas e flores. Se achar difícil abrir seu coração para uma rosa, quão difícil não achará abrir seu coração para com Deus {se não consegue perceber e amar o que vê como conseguirá perceber e amar o que não vê…}. A rosa é apenas um exemplo de como você pode desenvolver seu “olhar iluminado”. Não se prenda a esse exemplo, pois nesse caso você estaria igualmente sendo enganado pela mente e tornando-se cativo do carcereiro cerebral. Apenas viva intensamente cada momento como se fosse o último. Faça da sua existência uma verdadeira Existência {Aja por Amor em relação a todos e a tudo}. Faça da sua presença uma verdadeira Presença {Seja a manifestação da Graça divina}. Faça dos seus sentimentos verdadeiros Sentimentos {verdadeiros estados de júbilo interior} e preencha seu coração com {o que a Essência do seu Ser É} o Amor infinito {de Deus}, que existe no Eterno Agora e que nunca se acabará.

(Texto publicado pela primeira vez em março de 2007 no endereço

 http://neo-ad-infinitum.blogspot.com.br/2009/06/o-olhar-do-iluminado-ou-pureza-de.html)
(Versão atual postada com alterações e correções de natureza gramatical)

A paz seja com todos!

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s