Entrega

buda amor

ぁりがとう ございまず。

A compaixão como chave da via aberta, o Mahayana (Grande Veículo), torna possível os atos transcendentes do Bodhisattva. O Caminho do Bodhisattva se inicia com generosidade e abertura — o dar-se e o abrir-se — o processo da entrega. A abertura não é uma questão de darmos alguma coisa a alguém, mas de abrirmos mão de nossas exigências e dos critérios básicos dessas exigências. Esta é a “dana paramita”, a paramita da generosidade. Consiste em apreender a confiar no fato de não precisarmos garantir o nosso terreno, em apreender a confiar em nossa riqueza fundamental, em poder correr o risco de estarmos abertos. Essa é a via aberta. Se renunciarmos à atitude psicológica de “exigir”, a sanidade básica principia a envolver e conduz ao ato seguinte do Bodhisattva — “shila paramita”, a paramita da moralidade ou da disciplina.

Tendo-nos aberto e renunciado a tudo, sem mais referências aos critérios básicos do “eu estou fazendo isto, eu estou fazendo aquilo”, sem referência de nós mesmos, outras situações ligadas à manutenção do ego ou ao seu enriquecimento tornam-se irrelevantes. Essa é a moralidade final, que intensifica a situação de abertura e coragem: não receamos ferir a nós e nem outras pessoas porque estamos completamente abertos. Não nos sentimos despojados de inspiração pelas situações, o que nos traz a paciência, “Kshanti paramita”. E a paciência conduz à energia — virya — a qualidade da alegria encantadora. Há a intensa alegria do envolvimento, a qual é energia, que também proporciona a visão panorâmica da meditação aberta — a experiência de dhyana — abertura. Já não olhamos a situação externa como separada de nós porque estamos muito envolvidos na dança e no jogo da vida.

Tornamo-nos, então, ainda mais abertos. Não mais distinguimos as coisas como rejeitáveis ou aceitáveis; acompanhamos simplesmente cada situação. Não participamos de nenhuma disputa, nem a que tenta derrotar um inimigo, nem a que busca um objetivo. Não há envolvimento no receber nem no dar. Nenhuma esperança e nenhum medo. Esse é o desenvolvimento de “prajna”, conhecimento transcendental, a capacidade de ver situações tais quais são.

Assim o principal tema da via aberta consiste em abandonar a luta básica do ego. O verdadeiro significado da compaixão e do amor é sermos completamente abertos, é termos essa espécie de confiança total em nós mesmos. Já se fez uma infinidade de discursos sobre amor, paz e tranqüilidade no mundo. Mas que fazer para que exista realmente amor? Cristo disse: “Ama o teu próximo”, mas como amarmos? Como fazê-lo? Como irradiar o nosso amor a toda a humanidade, a todo o mundo? PORQUE É O NOSSO DEVER IRRADIÁ-LO E ESSA É A VERDADE!

Através de Raphael

2 thoughts on “Entrega

  1. Lindo texto Rapha!! Me lembra Krishna!!!

    “Já não olhamos a situação externa como separada de nós porque estamos muito envolvidos na dança e no jogo da vida.”

    Namastê

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