A transcendência da visão dos personagens

desejo direcao outro

Filhos de Deus!

Observem com atenção este modelo:

Surge num determinado tempo e local um “Iluminado”; ou seja, surge num tempo – há milhares, centenas ou a dezenas de anos; e num local – na Índia, na Judéia ou no Japão. Então os personagens percebem que se trata realmente de um “personagem incomum”, e passam a reverenciá-lO como “Iluminado”, “Mestre”, ”Filho de Deus”! A partir de então legiões de seguidores criam uma religião em torno da figura desse “personagem incomum” e então se dividem em budistas, cristãos, Seicho-No-Ie, ou outras religiões e denominações.

Sobre o que falou o Mestre?
Falou sobre o Amor!

O que ensinou o Mestre?
A irmandade entre os homens e a paternidade de Deus!

O que revelou o Mestre?
O ”reino de Deus” e o acesso a este reino…

Então, nesse ou em algum outro ponto começam as divergências entre os personagens sobre Quem é o “verdadeiro Mestre” e sobre o que Ele ensinou…

Este é o ponto que quero chegar!
No instante em que “começam as divergências entre os homens sobre Quem é o “verdadeiro Mestre” e sobre o que Ele ensinou” o principal tema, o Amor, sobre o que falou o Mestre foi deixado de lado; os personagens perderam o foco…

Os personagens “perdem o foco” toda vez que escolhem falar em vez de ouvir…

Por isso Jesus disse que o que contamina o homem não é o que entra pela boca, mas o que sai dela…

Os personagens “perdem o foco” quando em vez de estarem atentos ao que “sai da boca” começam a falar sobre o que deve ou não entrar pela boca…
Contudo, o que entra ou não pela boca é matéria e diz respeito a “este mundo”; mas o que sai pela boca está vindo da “mente dos personagens” ou da “Consciência do Ser”! E é a isto que devemos estar atentos! Ou seja, devemos estar atentos a ”o que estamos falando”, porque sobre o que estamos falando revela nosso estado de consciência ou de inconsciência sobre Quem somos!

Os personagens buscam relacionar o que “entra pela boca” com a natureza divina do Ser; mas é “o que sai pela boca” [se provém da Consciência do Ser] o que revela esta natureza divina; porque o que “entra pela boca” expressa ”um fazer” humano e o que “sai da boca” expressa “um estado de ser” divino.

Escreve Masaharu Taniguchi que, após anos de práticas ascéticas na floresta, período em que Sakyamuni se policiou quanto ao que “entrava pela boca” e a tudo que “fazia”, foi no momento em que, após ter meditado sob uma árvore e estar com fome, aceitou um prato de arroz com leite de uma jovem e teve a “experiência de iluminação”… e passou a falar, a ensinar, sobre a Realidade de Quem somos e a expressar [ pela boca ], a real natureza do Ser.

Não se deve inferir do que foi dito acima que o ser humano não deva atentar ao que “entra pela boca” porque as escolhas humanas sobre nossas ações denotam o tipo de “personagens” que estamos escolhendo representar e os personagens normalmente se unem aos grupos de semelhantes. Assim, o que “entra pela boca” pode levar a nos aproximar de certos grupos de pessoas e nos afastar de outro grupo. O que Jesus quis chamar a atenção ao revelar que “o que contamina o homem não é o que entra pela boca mas o que sai” é que as pessoas nao devem se distanciar ou se aproximar umas das outras pelo que ingerem, mas que devem se irmanar pela comunhão do Espírito e se unir na busca do reino de Deus. Por isso disse que todos deveriam buscar em primeiro lugar o reino de Deus e Sua Justiça e que não deveriam se inquietar sobre o que haveriam de comer ou o que haveriam de vestir.

Tanto no tempo de Jesus quanto nos dias de hoje existem grupos de personagens que se sentem “melhores seres humanos” em função do que comem.
Há até os que veem nesta escolha uma efetiva e real ligação com Deus e procuram influenciar outros para que adotem a mesma escolha, e façam crescer o grupo dos que acreditam ser este o critério correto pelo qual o ser humano deve realizar suas ações e assim se conectar com Deus.

Contudo, Deus não faz acepção de pessoas!

Todos os “seres humanos” continuam sendo Quem são [seres divinos] aos olhos do Ser. Assim é porque todo ser humano é em realidade um “Nyorai”, ou seja, provém da Grande Origem [Nyo] e o que os distingue ”neste mundo” é a percepção deste fato, que se revela pelo que compartilham com todos, sem diferenciar as pessoas pelo que comem ou pelo que usam.

Quando Sakyamuni aceitou um prato de arroz com leite de uma jovem donzela ele estava, do ponto de vista de seus companheiros de práticas ascéticas, quebrando todas as regras! Mesmo assim, este foi o momento em que ele se tornou Buda; foi o momento em que Sakyamuni transcendeu a percepção da mente do “seu personagem”, que está na representação, e se conscientizou de que tudo está na Consciência de Quem Ele É, que é a única Realidade!

Assim, Sakyamuni percebeu que montanhas, nuvens, rios, arroz, leite, pássaros e a jovem donzela, enfim, todos os seres e todo o cenário, bem como o próprio personagem Sakyamuni que ele estava sendo estão na Consciência do Ser, que é Buda!

Notem com atenção que esta visão de Sakyamuni não é de fato a percepção do personagem Sakyamuni, mas sim, trata-e da percepção de Quem ele É.

Com esta visão é possível perceber que Sakyamuni não se tornou Buda, mas que ele sempre foi Buda! O divino personagem Sakyamuni que aparece na representação divina não é existência real. Enquanto personagem, na representação divina, ele nasce, envelhece, adoece e morre. Contudo, o Ser Real não é “quem está sendo”´; o Ser é “Quem É”. Assim, apenas Buda é existência real e Vive na Realidade do Ser.

Da mesma forma, com esta visão é possível perceber que você, leitor, não se torna Buda, mas que você sempre foi Buda! O seu divino personagem que aparece na representação divina não é existência real. Quem você É surge num determinado tempo e local, ou seja, surge na representação divina como um “Iluminado”. Então os personagens ao perceberem que se trata realmente de um “personagem incomum”, seguindo o modelo daquele comportamento mental condicionado passarão a reverenciá-lo como “Iluminado” ou irão querer crucificá-lo, assim como Sakyamuni foi reverenciado e Jesus, crucificado. Os personagens que assim agem estão julgando; o resultado do julgamento depende do critério que usam. Você será julgado como bom ou como mau, porque a mente humana não percebe o real; ela percebe apenas aquilo que consegue ver… Como o “real iluminado” não é o personagem mas o Ser, o julgamento estará sempre falho.
Apresentar-se como “um espelho” dá a chance a quem julga de perceber que está julgando e vendo a si mesmo no ”espelho” ou a chance de transcender a percepção de si mesmo.
Jesus deu a todos a chance de transcender a percepção de si mesmos quando disse: “Quem vê a mim vê Aquele que me enviou”.
Esta é a chave para a transcendência da visão dos personagens: ver com o olhar de Deus, ver com Amor! Só o Amor desvela o Amor.
Masaharu Taniguchi disse: “Cada um de vocês é um Masaharu Taniguchi.”
Sakyamuni ao se iluminar percebeu: Eu Sou Buda. E não há quem não seja Buda!

Enfim, nenhum critério humano, nenhuma prática ascética, nenhuma alimentação especial, nenhum exercício físico, nada do que algum personagem “faça” poderá alçá-lo à condição de Buda, de Mestre ou de Filho de Deus. Uma única percepção e o real se revela. Contudo, é apenas Deus Quem Se percebe!
Busque esta dimensão que está em nós, o reino de Deus, e Ele Se revela!
Notem que a prática da Meditação Shinsokan pode nos alçar à percepção da Realidade divina, mas atentem ao fato de que ela é realizada com a “percepção da” Imagem Verdadeira em nós, e não com a percepção da mente de um personagem.

Meu personagem compartilha percepções com plena consciência que estas percepções não vem da mente de um personagem, e então diz: “Isto sou Eu!” Da mesma forma meu personagem compartilha percepções conscienciais de outros personagens e diz: “Isto sou Eu!”
Compartilhar estas percepções é uma forma de fazer com que outros personagens olhem para a direção certa! Isto faz com que se despertem para o fato de que não é o que fazemos que revela Quem somos, mas sim, o que percebemos consciencialmente! As percepções compartilhadas por Sandy Nat, pelo padre Charles Ogada e pelo senhor Sawada, já citadas em outros vários emails e posts, são exemplos de percepções da Realidade de Quem Somos. Meu personagem as enfatiza porque é o algo a ser percebido, que nos revela uma visão transcendida da realidade de personagens…

Com esta visão da Realidade de Quem Somos sabemos que somos seres divinos, não sujeitos a nascimento, envelhecimento, doença e morte.
E sabemos que a simples percepção desta Realidade torna esta representação algo ainda mais divino, porque é divino estar na representação com percepção de que é a própria representação divina que está em nós!

Então percebemos que o Mestre que apareceu em algum tempo e local, em realidade está EM nós!
E compreendemos a revelação do Mestre de que “virá novamente”; de que Cristo voltará, de que Masaharu Taniguchi irá nos reencontrar; e a revelação de Sakyamuni de que somos Buda desde o início dos tempos!

É esta a visão consciencial que meu personagem tem desfrutado e que a está compartilhando, usando como exemplo percepções conscienciais compartilhadas por outros personagens para que esteja evidente que estas percepções não pertencem a um personagem em especial, mas sim a Quem Somos. Assim, fica também evidente que o real iluminado, o Mestre, é Quem Somos [o Ser Real] e não quem estamos sendo [o personagem].

É o que percebo, desfruto e compartilho.

Saúdo a todos os Nyorais,

Silvano

One thought on “A transcendência da visão dos personagens

  1. Sobre este tema da transcendência da visão dos personagens devemos levar em consideração que: “A mente pensa e a Consciência medita”. Ou seja, “a mente” (do personagem que estamos representando) pensa, e a Consciência (do Ser, que Somos) medita. Através do pensamento concebemos “uma realidade” (algo que é real para a mente) e através da meditação percebemos “a Realidade”.
    Não é demais observar que na Meditação Shinsokan é “a percepção da Imagem Verdadeira” que percebe a Imagem Verdadeira e não “a percepção da mente fenomênica” que percebe a Imagem Verdadeira. A mente fenomênica (ou “mente do personagem”, ou “mente em ilusão”) não percebe senão a representação e o faz através de pensamentos. Assim, se nossos pensamentos forem bons a realidade percebida pela mente, a representação divina, o confirmará; e da mesma forma, se nossos pensamentos forem maus, a realidade percebida pela mente, a representação divina, o confirmará. Portanto, para mudar a realidade percebida pela mente, ou seja, para mudar sua vida, que é a realidade na qual vive o seu personagem, é preciso mudar os seus pensamentos! Isso se faz mudando a forma de pensar, mudando a forma de conceber a realidade do seu personagem.

    Assim, quando Masaharu Taniguchi afirma enfaticamente que: “A matéria não existe”, ele está te proporcionando uma mudança na forma de conceber a realidade do seu personagem. Ele está te dando a possibilidade de perceber que você, enquanto corpo carnal, não é existência real e que o próprio mundo fenomênico no qual você pensa existir como pessoa também não é existência real. Da mesma forma, Ele está dando a você, espírito desencarnado, a possibilidade de perceber que você, enquanto espírito desencarnado, não é existência real e que o próprio “mundo espiritual” no qual você pensa existir como espírito desencarnado também não é existência real.

    É preciso também observar que o “universo fenomênico” é o “mundo dos personagens”; é tanto o mundo dos “personagens encarnados” quanto dos “personagens desencarnados”. No mundo dos personagens todos seguem, como regra, o seguinte ciclo: Nascer, envelhecer, adoecer e morrer. Quando morrem percebem que continuam vivos e tornam a nascer, envelhecer, adoecer e morrer.

    Por fim é preciso notar que o “Universo da Imagem Verdadeira” não é o mundo espiritual, no qual vivem os espíritos desencarnados. No Núcleo o “Universo da Imagem Verdadeira” é chamado de “Universo Consciencial” por ser o Universo da Consciência [da Consciência do único Ser Real, do Ser que realmente existe], que é o Universo Verdadeiro; e nele todos os seres são conscientes de que são o próprio Ser Real, que é único.
    É deste contexto, do Universo Consciencial que advém a “pregação de Vairocana” (o Ser Real). Masaharu Taniguchi escreve que: “O mundo da Imagem Verdadeira é regido pelo Ser Supremo onipresente no Universo, que no budismo recebe a designação de Vairocana, em sânscrito (em japonês é chamado de Dainichi Nyorai). A expressão “pregação de Vairocana” talvez suscite a ideia de dois lados distintos: de um lado está aquele que prega e do outro lado estão aqueles que ouvem. Mas a pregação de Vairocana é a propagação das vibrações da Grande Vida.” [do livro Despertar Espiritual, página 30]
    Na página 33 Masaharu Taniguchi diz [e comento entre chaves] que: “Quando faço pregação, muitas pessoas se reúnem para me ouvir. A impressão do ponto de vista fenomênico [ou seja, do ponto de vista da mente dos personagens, que percebe de forma dual] é que eu e os ouvintes somos existências separadas. Mas, na realidade, somos uma só Vida. Da mesma forma, quando Sakyamuni pregava a Verdade, inumeráveis bodisatvas reuniam-se em torno dele para ouvi-lo e, embora parecessem existir separadamente [parecessem para a visão das mentes dos personagens], eram todos manifestação de uma só Vida. No capítulo Tahõ-tõ da Sutra do Lótus consta que Tahõ Nyorai disse a Sakyamuni: “Senta-te aqui, a meu lado”, e ofereceu a metade de seu trono no interior de Tahõ-tõ. Aceitando o convite, Sakyamuni sentou-se ao lado de Tahõ Nyorai. Essa passagem mostra a união intrínseca entre Tahõ Nyorai e Sakyamuni. Quando todos compreenderem que todos os seres búdicos [que todos os seres conscienciais] estão unidos entre si, desaparecerão naturalmente as discórdias sectárias.”

    Assim torna-se perceptível a revelação de que: “Um está em todos, e todos estão em Um.”
    Na página 34 Masaharu Taniguchi escreve que: “Esta é a Verdade da filosofia Kegon, da Seicho-No-Ie e da Sutra do Lótus.”

    Foi dito que: “a Consciência medita”; e que através da meditação percebemos “a Realidade”.
    Meditar é perceber consciencialmente. Assim, nos exemplos citados, tanto o autor da filosofia Kegon, quanto Masaharu Taniguchi, quanto Sakyamuni “perceberam consciencialmente” a Verdade de que: “Um está em todos, e todos estão em Um.”

    Esta “percepção consciencial” é a percepção de todos os seres conscienciais, de todos os seres búdicos, que é Quem somos; é a percepção que transcende a visão dos personagens.
    É a percepção do Ser Real que na representação aparece como Masaharu Taniguchi, como Sakyamuni, como Quem escreve este texto e como Quem o lê… Neste contexto, observe que a chamada “pregação de Vairocana” não se trata de alguém “pregando” algo a você ou a mim mas sim de uma percepção que está sendo compartilhada.

    “A mente pensa e a Consciência medita”. Então, agora você pode através do pensamento conceber “uma realidade” (algo que é real para a sua mente) ou através da meditação perceber “a Realidade” que foi percebida e compartilhada por divinos personagens como Masaharu Taniguchi, como Sakyamuni, e que continua sendo compartilhada com você!

    É o que percebo, desfruto e compartilho.
    Silvano

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